terça-feira, 25 de janeiro de 2011

dos quatro

escolho a quinta, e reparo que faltam dois. porque são sete os desenhos, sete os dias da semana, sete as notas musicais, sete as cores do arco-íris, sete os pecados mortais,
sete homens da minha vida,
e um só único amor, quando não me escolho a ser em função de nenhum outro
isso é verdade.
mesmo assim, sei que a soma de dois círculos que se juntam e se enrolam para dançar na espiral do infinito não dá sete, mas sim oito e, nesse caso, faltam três, falta um,
não falta nada!
é só um ciclo que se fecha para que logo outro comece e cada fim é o princípio de outra roda, de outro dia, de outra vida
sempre a mesma
e não há morte nenhuma e é só disso que falamos quando falamos de amor: de não ser nunca um princípio nem um fim entre as pessoas, mas uma energia eterna que nos une e nos circunda e nos expande e nos condensa e nos acolhe e nos anima e nos mostra aquilo que somos. 
não sei então por que razão é que, do todo, tomo as partes que me cabem. e pondo de parte o todo nunca sou nem serei toda, não farei parte de nada,
é extraordinário!
quando me sinto a fazer parte do todo, quando sou só tudo e nada, quando o espaço se abre em leque e realizo as dimensões em que me cruzo, reparo também que a humanidade não é mais do que um simples patamar para que o meu corpo ensaie esvoaços, que é apenas uma escolha temporária onde aprendo a ganhar asas, um laboratório de experiências, de emoções, de circunstâncias, uma estação de mil estações onde morro e onde renasço eternamente,
é extraordinário!
voltar ao primeiro desenho e ver tudo aquilo que ainda não mostro, ao segundo e assumir que sou várias, que sou muitas e que são tantas as máscaras, ao terceiro para constatar que, de facto, não há morte, ao meu quarto
ao teu quarto
ao quarto dele
para dançar toda nua em cada abraço, ao quinto para distinguir e depurar o azul-céu do azulindinho, ao sexto para provar a liberdade e, enfim, um lugar para descansar: sete dias rumo ao campo, sete cores sobre os pinhais, sete notas para as canções e a espiral do infinito a somar oito a cada ciclo.

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