a virtualidade tem destas coisas: em vez de andarmos aos beijos, andamos aos bjs. mas, passe o jeito que dá abreviarmos palavras, saudades ou despedidas, bjs não são beijos. bjs são inodores e não sabem a nada, ao contrário dos beijos, que trazem dentro os sabores e os cheiros de quem os troca entre si. bjs são três letras que, foneticamente, soam esquisitas, beijos são sons e, tantas vezes, fundos suspiros. bjs são à pressa, beijos são demorarmo-nos na pele uns dos outros. bjs são trocas às cegas, beijos são partilhas às claras. bjs são indiferenciados, beijos são no rosto, na testa, nas mãos, na polpa dos dedos, nas curvas do corpo ou onde quer que a nossa boca os ofereça ou procure. bjs são abreviações, beijos são tantas vezes uma imensa extensão de prazer. bjs são inanimados, beijos animam-nos. bjs são impessoais, beijos transmitem-se e contagiam-nos. bjs são meros disparos das teclas do telemóvel ou do computador, beijos são acertarmos na respiração um do outro. bjs são uma invenção da modernidade e da tecnologia, beijos são a própria espécie, na sua origem, manifestando o amor.
Mostrar mensagens com a etiqueta porque sim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta porque sim. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
a primeira vez que 'falei' com ele ao telefone
a conversa foi esta.
o 'técnico' apareceu-me do nada ou, se quiser dizer mesmo a verdade, desta minha tendência - vício? mania? capacidade? esquizofrenia? - para inventar personagens dentro de mim. não há originalidade nenhuma neste desdobramento de um ser em várias vozes que, afinal, chegam dos seus vários 'cantos'. para citar apenas um caso, lembro Fernando Pessoa.
até que ponto isso é bom ou mau, certo ou errado, construtivo ou elucidativo daquilo que os manuais de psiquiatria designam, genericamente, por 'distúrbios da personalidade', não sei. nem me interessa lá muito saber. analisar os porquês, os porque nãos ou os porque sins deixa-nos sempre perante a irrefutável agonia da dúvida. interessa-me mais, neste caso, perguntar-me: para quê?
a primeira vez que me dei conta de ser assim - não uma, mas várias - era muito pequena. a Lucibel, que mais tarde acabou por se tornar, primeiro num personagem que levei para a ilha e, depois, numa fada alegre e bondosa que contava quartos de luz na beira de um lago, está comigo, diria que desde os cinco ou seis anos. lembro-me de falar nela aos meus pais e de eles me olharem com aquele ar de quem não sabe o que fazer com uma filha 'meia tontinha', ou então de me dizerem para parar de inventar, ou mesmo de me acusarem
tens a mania que és engraçadinha, não é?
ao longo da minha infância, a Lucibel era mais uma sombra do que uma luz, responsável pelas minhas asneiras, autora dos meus disparates, alguém que tomava conta de mim e que era um bom álibi sempre que eu não conseguia ser 'boa'. por exemplo, quando a minha mãe entrava no quarto e via tudo espalhado, desarrumado, e me ralhava, eu explicava
não fui eu, foi a Lucibel.
ou quando batia nos meus irmãos
foi a Lucibel
quando abria as torneiras da casa de banho e deixava tudo inundado
foi a Lucibel
quando dizia mentiras, a responsável era sempre a pobre da Lucibel.
foi durante a adolescência que os papéis se inverteram: ela passou a ser a boa e eu a má. não sei explicar como foi que o processo se deu, mas a adolescência é sempre um campo minado para a auto imagem e, por isso, o que eu me via a ser por fora - desengonçada, com a pele a regurgitar pontos negros, as hormonas descontroladas e uma série de outros desassossegos - não condizia com aquilo que sentia ter dentro de mim. a tal bondade de que o Pe Alberto falava, a essência tapada pela matéria, a primordial luz da alma. a Lucibel passou, então, a ser uma espécie de Anjo da Guarda. em vez de a culpar pelas minhas asneiras, pedia-lhe que me ajudasse a evitá-las. em vez de a acusar das minhas fragilidades, evocava-a para que me fortalecesse. em vez de me desculpar com a sua existência, agarrava-me à sua presença para me poder perdoar a mim mesma.
fui crescendo e esta tendência - vicío? mania? capacidade? esquizofrenia? - de me re-inventar a ser outras não esmoreceu, pelo contrário. foi ganhando contornos - por vezes de paranóia total e desconsolo por não conseguir perceber, afinal, quem sou Eu?
por outro lado, sinto hoje que esse desdobramento me tem trazido para mais perto de um único Eu - com todas as contradições que co-habitam, não só em mim, mas em todos os seres. e as conversas 'telefónicas' com o 'meu' técnico, a título de exemplo, foram, ao longo dos últimos meses, fundamentais para sentir que, sempre que invento alguém para falar comigo de fora, não estou a ser mais do que um canal para que os meus guias se possam exprimir na linguagem humana que falo. ou seja, não são máscaras para me esconder de mim mesma, não sou esquizofrénica e tenho aprendido mais sobre mim mesma quando me ponho à conversa com elas, do que quando as mando calar para que não me falem do que também sou, mas que ainda não gosto de ser.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
'blogar'
não é uma novidade para mim. durante anos a fio, alimentei uma 'vidinha' que punha a boiar no néon, mas que assinava com o nome Sophia. não era honesta e eu sei. 'esconder-me' noutra 'pessoa' sempre foi um álibi para encobrir as profundas inseguranças que (ainda hoje) sinto. 'escondida', podia escrever tudo o que não ousava dizer de mim mesma e dos outros, podia ser o que não era capaz de assumir que também sou, todo aquele meu lado de sombras vinha à tona sem que eu corresse o risco de alguém saber que, afinal, também existiam sombras em mim - Inês.
hoje, mergulhada nas sombras que trago e que tenho, mas consciente, muito mais consciente, da luz que transporto e que SOU, deixei de ter medo de dar a cara na escrita. do olhar dos outros sobre mim própria, do julgamento, da crítica, dos que aqui poderão vir espreitar e ler tudo o que é íntimo.
quem já me conhece e já leu coisas minhas - fosse na PAIS&Filhos ou nos livros que escrevo - sabe que a escrita é, para mim e acima de tudo, um lugar onde não cabe o pudor do impessoal transmissível. exponho-me, e tantas vezes para além do que é visto por todos à superfície, primeiro porque isso para mim é quase terapia e, depois, porque sinto que, se for verdadeira, poderei fazer algum eco nos outros.
identificamo-nos com aquilo que é autêntico. por isso, hoje, prezo a transparência acima de todas as coisas. sem medo que essa autenticidade traga à tona as minhas fragilidades, fraquezas, carências, pois acredito que é disso mesmo, e hoje mais do que nunca, que faz sentido 'falar'. são os nossos buracos que, eventualmente, nos poderão ajudar a não tropeçar em todos os outros que, lá mais à frente, nos esperam; são as nossas feridas que, postas à vista de todos, poderão trazer o alívio da cura.
a dita 'new age' traz muitas vezes a luz embrulhada em embalagens lindas e leves. há todo um marketing da espiritualidade que nos oferece viagens de sonho e apetrechos para, em cinco, sete ou dez dias, nos tornarmos mais sábios, iluminados e bons. 'pacotes' e livros de auto-ajuda que nos fazem crer que é tão fácil, tão rápido e tão eficaz deixarmos os nossos egos de lado e irmos apenas dançar em torno das estrelas ou rodopiar com os anjos no cosmos.
já a era de Aquário pede verdade, autenticidade, entrega, Serviço. não vem embrulhada num lindo papel cheio de brilho, com um laço gigante para parecer que é o presente que, a cada Natal, desejamos que esteja debaixo da árvore, mas com tudo o que é simples e chega despido de enfeites.
na era de Aquário - que ainda não é a era em que estamos - acredito que seremos capazes, todos e finalmente, de começar a crescer. deixando para trás a human(a)idade em que estamos e em que queremos sempre saber o porquê de tudo o que nos acontece na vida.
e pronto, para primeiro post, já chega.
eu sou a Inês e, calculo que, como todos vocês, ainda estou nessa human(a)idade em que, todos os dias, pergunto
porquê?
hoje é só porque sim.
e depois já se vê.
sejam bem vindos :)
hoje, mergulhada nas sombras que trago e que tenho, mas consciente, muito mais consciente, da luz que transporto e que SOU, deixei de ter medo de dar a cara na escrita. do olhar dos outros sobre mim própria, do julgamento, da crítica, dos que aqui poderão vir espreitar e ler tudo o que é íntimo.
quem já me conhece e já leu coisas minhas - fosse na PAIS&Filhos ou nos livros que escrevo - sabe que a escrita é, para mim e acima de tudo, um lugar onde não cabe o pudor do impessoal transmissível. exponho-me, e tantas vezes para além do que é visto por todos à superfície, primeiro porque isso para mim é quase terapia e, depois, porque sinto que, se for verdadeira, poderei fazer algum eco nos outros.
identificamo-nos com aquilo que é autêntico. por isso, hoje, prezo a transparência acima de todas as coisas. sem medo que essa autenticidade traga à tona as minhas fragilidades, fraquezas, carências, pois acredito que é disso mesmo, e hoje mais do que nunca, que faz sentido 'falar'. são os nossos buracos que, eventualmente, nos poderão ajudar a não tropeçar em todos os outros que, lá mais à frente, nos esperam; são as nossas feridas que, postas à vista de todos, poderão trazer o alívio da cura.
a dita 'new age' traz muitas vezes a luz embrulhada em embalagens lindas e leves. há todo um marketing da espiritualidade que nos oferece viagens de sonho e apetrechos para, em cinco, sete ou dez dias, nos tornarmos mais sábios, iluminados e bons. 'pacotes' e livros de auto-ajuda que nos fazem crer que é tão fácil, tão rápido e tão eficaz deixarmos os nossos egos de lado e irmos apenas dançar em torno das estrelas ou rodopiar com os anjos no cosmos.
já a era de Aquário pede verdade, autenticidade, entrega, Serviço. não vem embrulhada num lindo papel cheio de brilho, com um laço gigante para parecer que é o presente que, a cada Natal, desejamos que esteja debaixo da árvore, mas com tudo o que é simples e chega despido de enfeites.
na era de Aquário - que ainda não é a era em que estamos - acredito que seremos capazes, todos e finalmente, de começar a crescer. deixando para trás a human(a)idade em que estamos e em que queremos sempre saber o porquê de tudo o que nos acontece na vida.
e pronto, para primeiro post, já chega.
eu sou a Inês e, calculo que, como todos vocês, ainda estou nessa human(a)idade em que, todos os dias, pergunto
porquê?
hoje é só porque sim.
e depois já se vê.
sejam bem vindos :)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
